sábado, 21 de novembro de 2015

Posso chacoalhar você?!?


Era pra ser um dia feliz para aquele pai...
Seu aniversário de 76 anos!
Eu tentei felicitá-lo pela data...
E ele começou a recordar de quando seu único filho homem era um garoto, um adolescente...

“Eu tinha certeza que ele seria um médico. Tão inteligente, estudioso, de bom coração... Um menino sensacional...” Ele me disse, parecendo viajar no tempo.

“Mas, ‘aquela coisa’ acabou com a vida dele, e acabou com a minha vida também...”
‘Aquela coisa’ é a droga.



Era pra ela ser apenas uma filha. Trinta e poucos anos, dois filhos, casamento bacana...
Mas, ela incansavelmente busca melhores alternativas de tratamentos para a mãe, de 60, dependente química.
Em suas palavras é possível perceber o quanto ela se sente responsável por causar ou evitar recaídas da sua mãe...

São tantas histórias todos os dias. Histórias tão parecidas. Sentimentos tão parecidos.

A vontade que tenho é de chacoalhar esses familiares, e fazê-los compreender:

Ei, há muita vida pra ser vivida!! Pare de carregar o peso do outro sobre si!!
Você não é culpado, não pode controlar as escolhas do outro, e não pode curá-lo!!
Livre-se de tudo isso...

Sim, você deve amá-lo como ele é, mas isso não quer dizer que você deva se anular, se culpar, e aceitar todas as insanidades da dependência química. Não!

A droga não pode arruinar a sua vida, a não ser que você permita... 

Famílias, por favor, liberem um pouco de cuidado, amor e atenção a si mesmas!!

Eu sei o quanto é difícil... mas também sei o quanto é possível se buscarmos ajuda!!




Por falar em ajuda, nos dias 07 a 11 de dezembro, realizaremos o II Seminário de Multiplicadores Sociais de Ações de Apoio às Famílias, do programa “Ame, mas não sofra”, da Secretaria de Justiça do DF.

A intenção é levar informação e acolhimento às famílias de usuários de drogas, e também sensibilizar os profissionais para a necessidade de uma maior atenção a essas famílias. As inscrições não param de chegar!!

Essas ações me enchem de felicidade e gratidão a Deus, por poder levar adiante o que um dia recebi!!

Aproveito também para agradecer ao amigo Júnior, do blog Limpo só por hoje! , pelo convite para participar do seu programa na rádio São Francisco, de Bacabal, onde todas as quartas-feiras, ao meio-dia, fala-se sobre a recuperação da dependência química, e também da codependência emocional. Foi uma experiência fantástica poder ouvir o retorno dos ouvintes e leitores do blog! Muito obrigada!!

Queridos leitores, para curtir nossa nova página no Facebook CLIQUE AQUI! Como informei no post anterior, a página antiga foi desativada.

Grande beijo a todos!
E um fim de semana repleto de serenidade!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

As escolhas fazem parte da caminhada...



“Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial...” (Rubem Alves)


Boa tarde!!

Uau, que saudades desse espacinho tão acolhedor...

Como estão vocês?

Comigo vai tudo bem, graças a Deus... Um dia de cada vez, um leãozinho por dia... E olha que não estou falando do meu familiar adicto, ok? Estou falando de mim...

“É preciso escolher...” Li a frase acima do Rubem Alves nesta semana, e a achei tão linda, tão real e tão profunda, e ao mesmo tempo tão simples, que decidi trazê-la para vocês.

A vida passa tão depressa... E por mais que queiramos abraçar o mundo e viver tudo o que a vida pode nos oferecer, aos poucos vamos aprendendo que as escolhas fazem parte da caminhada...

Não podemos ver dois filmes, em dois canais, ao mesmo tempo... Não podemos levar a vida livre de solteiro e ter a companhia segura de um casamento ao mesmo tempo... Não podemos exercer todas as profissões que gostaríamos, nem mesmo morar em todos os lugares que nos parecem aprazíveis...

Escolhas...

Elas sempre estão conosco... Na verdade, somos o resultado delas...

Não gosto de falar de certo e errado, e nem sei se eles existem (não falo de ilegalidades, imoralidades, amoralidades ou coisas assim, tá?).

O que quero dizer é que somos seres humanos únicos, e o que parece um absurdo para mim, pode fazer todo o sentido para o meu próximo...

Então tento me pautar sempre no respeito, tanto no blog, como em meu trabalho, no atendimento às famílias, com meus amigos, com minha família...

Respeito...

E que Deus me ajude a continuar assim, sempre, respeitando as escolhas do meu próximo, mesmo quando elas não fazem nenhum sentido para mim...

Sei que, por vezes, a escolha do outro nos machuca, mesmo que não seja intencional. E muitas vezes, gostaríamos de poder escolher pelo outro, por achar que nossa escolha é melhor. Não é mesmo?!

Mas queridas(os), não podemos escolher por ninguém, a não ser por nós mesmas(os). Não podemos controla-los. Não podemos conduzi-los...

E é interessante que quanto mais tentamos mudar os outros e controla-los, mais perdemos o controle sobre nossas vidas, e mais somos afetadas(os) pelas coisas externas.




Daí entra a prática da oração da serenidade:

Serenidade para aceitar o que não podemos mudar: o outro e situações externas a nós...
Coragem para mudar o que podemos: nós mesmos!

Não posso mudar o mau humor de um colega, mas posso mudar a forma como EU vou agir diante desse mau humor. Posso permitir que isso me deixe mal, pra baixo, ou posso simplesmente entregar para Deus as coisas que ele me diz e magoam, e amá-lo do jeito que ele é, mas sem permitir que esse seu jeito “azedo” me azede também.

Não posso, infelizmente, fazer com que meu familiar não use mais drogas. Mas posso “me blindar”, ou seja, não permitir que isso se torne o centro da minha vida e das minhas emoções...

Fácil? Não, não é fácil. Mas é algo simples.

Poly, você está dizendo que preciso ficar ao lado dele, mesmo ele usando drogas?

Não! Estou falando que você é responsável por suas escolhas. Você e só você! E estou falando também que você não pode muda-lo, portanto, não se iluda, não pense que suas atitudes o farão mudar, porque ele só mudará quando ele mesmo escolher isso...

Sei que a família pode ou não facilitar/atrapalhar esse processo de decisão do adicto, mas não é disso que estou falando agora...

Estou falando em se libertar do peso do outro...

Estou falando em vivermos em paz com nossas escolhas...

Estou falando, mais uma vez, em cuidarmos de nós com carinho...

Eu, Polyanna, sou uma pessoa intensa. Não sei amar pela metade, não sei trabalhar pela metade, não sei me dedicar a uma causa pela metade... Se estou dentro, estou dentro 100%, de corpo e alma...

Hoje estou 100% dentro do meu casamento. Estou 100% cuidando do Projeto “Ame, mas não sofra” de apoio às famílias de dependentes químicos. Estou 100% cuidando dos meus filhos.

E estou muito feliz com tudo isso...

Acho muito triste quando escolhemos uma vida, e a vivemos somente 1% porque gostaríamos de estar em outra vida...

Não tenho medo de mudar. Não tenho medo de trocar de opinião. Apenas tenho medo de não viver... E de um dia, lá na frente me arrepender disso...

“Quando descobrimos que absolutamente nada é definitivo, inclusive a vida, compreendemos a inutilidade do orgulho, a tolice das disputas, a estupidez da ganância, e a incoerência das tolas mágoas...” (Alexsandra Zulpo)

Meus amores, infelizmente perdi a página Amando um Dependente Químico do Facebook. Nem eu sei o porquê, mas acredito que tenha relação com os status de administração da página.

Criei uma nova, clique aqui e curta! E me ajudem, por favor, a divulgar... :(

Quanto ao trabalho, em dezembro, faremos mais um Seminário aos familiares, aqui em Brasília, e estou trabalhando muito nisso... Além disso, desenvolvi outro Projeto para a Secretaria de Cultura, que foi aprovado na primeira fase, e aguarda o resultado da segunda fase, para iniciar a execução... (Surpresaaa, depois eu conto!) E o livro “O Diário de Francine Deschamps” está em fase de conclusão... Muito difícil escrevê-lo!! Mas tá lindo!!

Acho a Fanpage uma ótima ferramenta de divulgação e de troca. Fiquei muito triste por tê-la perdido, pois éramos mais de 3.100 pessoas de mãos dadas, mas paciência... Não consegui mesmo resgatá-la. Bola pra frente! Página nova! (https://www.facebook.com/amandoumdq/?ref=hl). :)

No mês passado, fiquei muito feliz e surpresa ao ser indicada para receber o Prêmio de Mérito pela Valorização da Vida do Ministério da Justiça, em Brasília, e também por ter meu nome aprovado por 100% do Conselho de Políticas sobre Drogas! Muito feliz pelo reconhecimento! Sem dúvida, em meio a tantos “ventos contrários”, é muito gostoso saber que alguém dá valor a todo esse trabalho.

Amo o que faço! E se parasse hoje, levaria comigo a sensação de “missão cumprida”.

Queridas(os), cuidem de vocês, lutem por seus sonhos, façam suas escolhas e sejam felizes!

Se é pra escolher, que escolhamos o que é essencial... :)




Amo vocês incondicionalmente!

Beijos.
Poly

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O fim do fim...



Três meses se passaram desde a separação, e desde ontem estava pensando o que eu iria postar...

Pensei em falar dos meus conflitos, de como estou me sentindo, como foi esse tempo, e tal e tal...

Pensei em falar das dificuldades e das superações...

Da saudade...

De como estou orgulhosa de mim mesma...

Pensei em falar tanta coisa...

Mas hoje recebi a notícia de que ele está em um novo relacionamento... 

Daí ‘petecou’ tudo! Os sentimentos se misturaram, e nem sei o que postar...

“Mas, já Poly?!”
Sim, já...

De certa forma eu já previa, já esperava, já imaginava que aconteceria, mas sei lá por que ainda doeu tanto...

Foram nove anos e dois meses de história até aqui...

Vocês acompanharam boa parte dessa história...

E se alguns ainda apostavam nela, eu afirmo: acabou!

A cada dia que passa, tenho ainda mais a certeza de ter tomado a decisão certa. Talvez não fosse a decisão que o meu coração pedia, mas foi a melhor para mim e para os meus filhos...

Esse ciclo doloroso fez sentido durante muito tempo para mim, mas não faz mais sentido...




Quanto a mim:
Não me entrego à dor. Nunca me entreguei, e agora não será diferente.

Cortei os cabelos hoje. Fiz as unhas. Nesta semana, retornarei ao trabalho, após 30 dias de licença em razão da cirurgia. Aos poucos, o médico está liberando as atividades físicas. Tenho novos projetos profissionais. Quero fazer o meu mestrado de Direitos Humanos. Sobretudo, amar e educar os meus filhos... e ser feliz!

Sigo a cada dia mais apaixonada pelo meu trabalho na luta contra as drogas... Quanto mais elas me tiram, quanto mais as perdas doem, com mais vontade e garra eu trabalho nessa causa!

Parece uma questão de honra, sabe? Não sei se me entendem... Coisa de maluco mesmo!

Querid@s, quando estiverem na dor, não se entreguem, lembrem-se de que as tristezas superadas se transformam em força!

E é isso que desejo a tod@s vocês: força!

Para quem está na metade do caminho, para quem está começando, ou para quem já está quase no finalzinho dele... Força a tod@s nós!!

E digo mais: Eu, Polyanna, sou movida a sonhos, e não vou permitir que isso mude!!

Fiquem bem!
Poly.


terça-feira, 11 de agosto de 2015

A hora de se soltar...


Boa tarde a todas(os)!

Tudo bem com vocês?

É... Se passaram dois meses!

Por vezes nem acredito!

Difícil descrever como foram esses dois meses.

Aconteceu tanta coisa. Um turbilhão de sentimentos. Não foi (e não é) nada fácil, do dia pra noite, ocupar o espaço de dois, sendo uma só.

Cuidar de filhos pequenos, da casa, do trabalho, da manutenção do carro, das contas, enfim, de tudo...

Ele me ajudava muito e eu seria injusta se afirmasse o contrário.

Confesso que por vezes pensei que não daria conta, mas agora sinto que as coisas finalmente estão começando a entrar nos eixos.

Resumindo, sobrevivi!

No trabalho, estou respondendo por duas Coordenações: pela minha – de apoio às famílias, e pela que está vaga – de prevenção ao uso de drogas. Ou seja, trabalho literalmente dobrado, mas faço com paixão e prazer!

Em casa, é uma tarefa árdua diária e quase sempre batalha perdida na tentativa de manter as roupas em dia, a casa limpa e organizada, com duas crianças pequenas... É impossível!! Mas eu continuo tentando... Gosto muito das coisas limpas... Mas, isso acaba me esgotando às vezes.

Nos finais de semana, passeio com os filhotes.

Tivemos que mudar muitas coisas na nossa rotina para fazer as contas caberem no novo orçamento.

Ainda estamos nos adaptando...

Se estou feliz? Estou em paz!

Não vou mentir, não gosto da solidão, não gosto de estar sozinha...

E não é nada fácil estar feliz vendo aquilo que você sonhou tanto, desejou tanto, lutou tanto, ruir...

Mas sei que tomei a decisão acertada, e na hora acertada também.

Pelos meus filhos, por ele, e por mim, acabou.

Então se acabou, vamos abrir a porta para que uma nova vida recomece, e é o que estou tentando fazer...

Sim, a saudade bate... As lembranças... Mas sei que é preciso seguir! E acredito que tenha muita vida lá fora...


“Onde a droga entra, nada de bom nasce...
Ela destrói sonhos, juventudes, famílias, vidas... Tudo!
 
Quando o fim de um relacionamento se dá por uma traição ou porque o amor morreu, há algo palpável para alimentar a mágoa ou a raiva...
 
Mas quando o fim se dá porque um dos lados está sendo vencido pela doença da adicção, não dá pra ter raiva nem mágoa...
 
Só o que fica é a frustração e a saudade do que poderia ter sido, mas não foi...
 
Fica o desejo de ter aquela pessoa perto, mas a droga longe...
 
E fica sobretudo a certeza de não querer voltar... E nesse caso o não querer é maior que o querer...
 

Mas dói... E como dói!”
(Poly P.)


Na semana passada, tivemos um grande susto. Ele (meu ex) foi internado às pressas em um hospital por uma sepse, também conhecida como infecção generalizada.

Seus linfócitos baixaram para o índice 9, ou seja, seu organismo estava sem imunidade. Seus batimentos cardíacos se elevaram demais. E a temperatura chegou a 42 graus.

Só fiquei sabendo da internação dois dias depois.

Não tem nenhuma relação com uso de drogas. Ele está limpo e frequentando as reuniões de Narcóticos Anônimos, pelo que sei.

Mas, o fato é que ele quase “foi”. Mais uma vez, Deus está dando a ele uma chance nova... está dando a ele, novamente, o maior presente que há: a vida!

Os exames não acusaram nenhuma doença grave. Pelo que parece foi mesmo uma bactéria na corrente sanguínea.

O quadro agora está estável. Os analgésicos já foram suspendidos e o tratamento continua com antibióticos no soro.

No dia dos pais, ele enviou a seguinte mensagem em tom de desabafo:

“O meu maior tesouro é ser pai dos meninos! Lembro da alegria que senti ao vê-los recém-nascidos no seu colo. Cada detalhe, cada cor ainda consigo enxergar. O maior sentimento de um homem, eu estava sentindo naquele momento... a responsabilidade de ser pai! Posso ter feito tudo errado nesse tempo, sei que não fui responsável como prometi a mim mesmo, sei também que deixei de aproveitar momentos ao lado de vocês... Não posso mudar o que fiz, e pior ainda o que deixei de fazer, mas estou orando a Deus, e é Dele a última palavra. O desejo do meu coração é que meus dois filhos lindos tenham muito orgulho do pai deles... Posso dizer que mesmo nesse hospital, hoje para mim é um FELIZ DIA DOS PAIS! Obrigado por você ser essa mulher incrível, linda e especial que é e sempre foi. A mãe dos meus filhos só poderia ser você! Que Deus te abençoe em tudo o que for fazer...”

Os amigos mais próximos me perguntam se tem volta. Se me arrependo da separação. Se sinto saudades... etc.

Em nenhum momento eu disse que não o amava mais. Não sei mais o tipo de amor que sinto por ele, se o amo como marido, como filho, como ser humano... Não sei. Mas, sei que é algo forte... Não sinto raiva ou mágoa dele. E desejo, de coração, o seu melhor. Mas não consigo mais acreditar que o seu melhor seja ao meu lado, ou que o meu melhor seja ao lado dele, infelizmente. Algo se quebrou...

Não o condeno por ser um dependente químico. Não o condeno por seus erros e dificuldades. Eu também tenho um milhão de falhas e dificuldades, que talvez não sejam tão expostas quanto as dele. Mas não sou melhor que ele, não mesmo.

Entretanto, aprendi a valorizar muito a liberdade. Liberdade, palavra de tanto significado.




Até o artigo 5º da nossa Constituição Federal fala sobre ela. Quem não deseja ser livre?

Muitas vezes, nós familiares, pensamos que os adictos são escravos das drogas, e que nós somos livres, e nem nos damos conta do quanto vivemos também como escravos, e muitas vezes em condições até piores do que as deles.

Escravos do medo, da ansiedade, da necessidade de controle, do desejo de dominar, da culpa, da autopiedade, da dor... E, sobretudo, escravos do outro, do outro, do outro...

E chegou a minha hora de me soltar.

“Para cada um de nós, há uma hora para se soltar. Você saberá quando essa hora chegar. Quando tiver feito tudo o que pode, será hora de desligar. Examine seus sentimentos. Enfrente o medo de perder o controle. Assuma o controle de si mesmo e de suas responsabilidades. Deixe os outros livres para que sejam quem são. E fazendo isso, você também se libertará... “ (Melody Beattie)

Queridas(os) leitoras(es), amanhã às 11 horas estarei me internando (no mesmo hospital em que ele está internado, dá pra acreditar? Risos) para fazer uma colecistectomia laparoscópica. Ave Maria, que nome feio!! 

Traduzindo, é uma cirurgia para a retirada da vesícula, pois a minha está adoecida e cheia de pedrinhas (que infelizmente não são diamantes)... Orem por mim! 

Nesse tempo de afastamento do trabalho, estarei concluindo o livro “O Diário de Francine Deschamps”, clique aqui e veja o clipe. 

Meu Deus, trinta dias sem ir ao trabalho, e sessenta dias sem ir à zumba, vou ter que inventar alguma coisa pra ocupar essa cabecinha agitada!! Risos. 

Espero voltar logo... 

Beijos!!
Fiquem com Deus!!

terça-feira, 14 de julho de 2015

O Clube das Separadas Bem-Amadas!!



Bom dia, meus amores!

Tudo bem com vocês?

Hoje vou fazer uma postagem de fofoca... Pode ser? Tipo aquelas revistas que a mulherada adora!! Risos.

Acordei pensando em mim e em minhas amigas blogueiras que, por tanto tempo nos dedicamos a escrever sobre nossas vidas, nossos amores, nossas dores, nossas esperanças... 

Que rumo tomou cada uma?

Um dia fiquei pesquisando para saber o que aconteceu com cada uma das paquitas da Xuxa, que eu amava!! Vem me dizer que você que curtiu os anos 80/90 nunca fez isso?!! Rs.

E hoje fui olhar o que aconteceu com “as minhas paquitas”... hahaha... Digo “minhas” porque antes do Blog Amando um Dependente Químico, só havia o blog da Cicie e da Giulli (dinossauras!!), mas as duas já haviam rompido o relacionamento com seus ex-adictos.

Então, depois, por meio do Blog ADQ, muitas esposas e namoradas foram motivadas a escrever, em forma de diários, também suas histórias. Então me sinto meio que responsável por todas!! Tipo uma “tia”, sabe?!!

Até hoje tem amigas chegando para essa rede virtual, podemos dizer que são as “paquitas segunda (ou terceira) geração”!! E isso é muito importante porque, infelizmente, a cada dia aumenta o número de pessoas envolvidas nesse meio de adicção e codependência, e a troca de experiências e informação é fundamental para o crescimento e superação do grupo.

Gente, só pra vocês terem uma ideia, quando começamos os blogs, na era “pré-facebook” e “pré-whatsapp”, batíamos papo via comentários nos blogs e até tentamos baixar uns programinhas (horríveis) para que essa interação fosse possível por aqui... Depois migramos para o Facebook (Ufa!!).

E hoje tenho até instagram!! Quem quiser seguir é @simplesmente_gipuglisi . 

Como podem ver, a modernidade chegou por aqui!

Hoje as meninas participam de grupos no facebook. Eu não participo por uma questão de tempo curto... Daí, opto por alimentar apenas a página www.facebook.com.br/amandoumdependentequimico . (Curte lá!!)

Mas, então, vamos ver o que houve com as “paquitas da primeira geração”?




A Gaby terminou o relacionamento com seu namorado adicto. Encontrou uma nova pessoa com quem se casou há dois anos. Vive uma vida feliz, passou por uma grande dor que foi a perda da sua bebezinha antes da gestação terminar, mas teve o apoio do esposo, e segue sua vida longe da problemática das drogas.




Após tantos relatos de agressões psicológicas e físicas, ela separou-se do esposo no final de 2012. Quatro meses depois (março de 2013), ela relatou os seus progressos e superação após a separação. Não houve mais postagens.




A Flor terminou o relacionamento em junho de 2014. Hoje ela segue realizando lindos trabalhos na área da Educação em seu estado. Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente e de constatar que realmente ela é uma flor!!




A Kel passou por vários estágios. Separou-se. Ficaram separados um tempo, e depois optaram por manter o relacionamento, mas em casas separadas. Ela está cursando sua faculdade, buscando seus objetivos, e além do Blog acima, ela escreve também no Blog Você Acha que Sabe, onde expõe suas ideias sobre assuntos não focados na dependência química.




A Maria terminou o namoro complicado mais ou menos em junho de 2013. Retomou sua vida, e segue sonhando sonhos “normais” de uma garota de vinte e poucos anos: intercâmbio, namoros saudáveis, viagens, etc.




A Emily se separou há alguns meses do esposo por não tolerar mais os seus comportamentos abusivos, mesmo ele estando limpo. Depois descobriu coisas tristes dele, como a traição, e isso tudo só reforçou a sua sede de superação... Vinte quilos mais magra, hoje ela ajuda outras pessoas com o tema Reeducação Alimentar (clique aqui, e curta a página dela), e segue cuidando dos filhos adolescentes.




A Lu se separou em fevereiro deste ano. Ela segue, cada dia mais linda, ajudando adictos e codependentes pelas redes sociais, além de ser uma mãe e vovó super coruja.


E é isso...

Alguns outros Blogs não consegui localizar... :(

Parabéns, meninas! Observei que nenhum desses Blogs recebeu menos de 15.000 visitas, e juntos os Blogs receberam mais de um milhão de acessos... Ou seja, juntas ajudamos muita gente... Já pensaram nisso?! Formamos uma verdadeira "rede do bem"!  \o/\o/\o/

A ideia não é falar sobre os rapazes, mas sobre nós... Mas como a curiosidade é normal, digo que, pelo que sei, os únicos que seguem limpos são o marido da Kel (após um tratamento com ibogaína) e o ex da Emily (que trabalha dentro de uma comunidade terapêutica).

Poly do céu!! Quer dizer que não tem recuperação? Quer dizer que todos os casamentos com adictos vão chegar ao fim?

Não. Quer dizer que existe recuperação para quem quer!! E esse querer deve ser um querer intenso, acima de qualquer outro, pois estamos falando de uma doença complexa.

Dá uma olhadinha no que falei sobre isso, no vídeo abaixo... "Tem que querer!!"


Quanto ao relacionamento, quando vejo todas nós, me encho de felicidade... Sim, de felicidade!! Leiam nossos relatos há quatro, três anos atrás. Éramos “cacos”... Muitas de nós não tínhamos autoestima, vivíamos em função do outro... E conseguimos nos resgatar!!

Queridas, continuemos nos cuidando. Aprendendo o amor próprio. 

Quando nos amamos e nos cuidamos não nos permitimos aproximar de pessoas que não estejam dispostas a nos dar esse mesmo amor e cuidado...

Nossos ex são pessoas más? Não, claro que não. O meu, por exemplo, é um ser humano incrível! Ele me deu meus filhos que são meu maior presente, e também me proporcionou viver muitos momentos lindos e especiais. Mas eu decidi que não quero mais viver ao lado de um usuário de drogas. Não quero isso pra mim e ponto. Não quero mais aquele medo, aquela ansiedade, aquela insegurança. Tenho sonhos a alcançar. Filhos para criar. Uma vida para viver! E infelizmente, ele escolheu não se tratar...

Então, meninas, um conselho que dou: não sintam raiva. A raiva faz mais mal a quem sente.

Nem raiva. Nem culpa. Nem pena.

Que possamos encher o nosso coração de amor!

Eu desejo do fundo do meu coração que todos eles se recuperem dessa vida do vício, que conquistem coisas boas, e que encontrem novas mulheres e as façam felizes, e sejam felizes...

E claro que desejo que as "minhas paquitas" sejam muito felizes com elas mesmas, se valorizando, e que em um futuro não muito distante, se permitam conhecer seus príncipes, aqueles disponíveis emocionalmente, e que tenham condições de cuidar bem delas!

E a Poly?! Bom, está tudo muito recente... Por enquanto, a sensação que tenho é que serei realmente a “tia Poly”... kkkk

Falando sério, ainda tem muita coisa pra sarar aqui dentro, pra organizar... Recebi muitas mensagens de pessoas ansiosas para que eu encontre alguém que me faça feliz, mas primeiro preciso aprender a ser feliz comigo mesma...

Calma, minhas queridas, tudo tem seu tempo!

Me desculpem as brincadeiras... E espero que tenham gostado desse post feito com tanto carinho!!


Beijos da tia Poly!
Fiquem com Deus!

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Deixando a rua me levar...


Ela acorda todos os dias por volta das seis da manhã.

Veste sua roupa fitness, toma seu suco verde, arruma as mochilas das crianças.

Acorda as crianças com o achocolatado pronto.

Escova os dentinhos, coloca o uniforme... corre pra cá, corre pra lá...

Desce três andares, geralmente com o caçula de 3 anos no colo, além das mochilas!

Deixa as crianças na escola, e no caminho, vai fazendo uma oração em voz alta, pedindo proteção a Deus.

Vai para a academia... Esses são os cinquenta minutos reservados a ela, e ela só falta em caso de calamidade pública!

Volta correndo pra casa. Banho. Café da manhã. Trânsito.

Trabalho...

Ela trabalha com muita paixão. Acredita no que faz. E acredita que pode fazer diferença, por meio do seu trabalho, na vida de outras pessoas.

Não tem hora pra sair do trabalho.

Trânsito.

Filhos na creche.

Casa. Lanchinhos. Louça. Chão. Roupas pra lavar ou passar.

Um gatinho pra alimentar e trocar a areia sanitária...

Quando dá, ela gosta de assistir a novela I Love Paraisópolis, mas na maioria das vezes, a TV fica na Discovery Kids para distrair as crianças.

Alguns dizem que ela é uma mulher forte. Outros a chamam de guerreira.

Mas, ela é apenas uma mulher. Um pouco ingênua, muito sonhadora, e bem batalhadora.

Sobretudo, ela é uma mulher que sente... Sente até demais.

Ela não sabe amar mais ou menos, querer mais ou menos, fazer mais ou menos... Ela é intensa, e por vezes paga o preço por isso.




Há vinte e seis dias, ela tomou uma decisão.

A decisão de abrir mão dos sonhos que havia alimentado durante nove anos ao lado do seu esposo.

Sonhos como dormir e acordar de conchinha pelo resto dos seus dias... Viagens a lugares ainda não conhecidos pelo casal... Ver juntos os filhos crescerem... Irem embora para Santa Catarina, onde passariam a velhice, depois de aposentados...

E tantos outros sonhos, agora abortados...

Ela tomou essa decisão em razão do uso de drogas dele.




Sim, ela entende que ele tem uma doença (dolorosa doença), mas depois de muito bater a cabeça na parede, ela percebeu que não dá mais para abrir mão dos seus sonhos individuais em razão de sonhos irreais cultivados em parceria...

A cada recaída, passos são dados para trás. Há um desgaste emocional nela e nas crianças. Muita coisa é destruída, e ela não quer mais se empenhar reconstruindo, para ver tudo desmoronar outra vez.

Sim, ela acredita na recuperação dele. Ela acredita que qualquer dependente químico que queira, e que realmente se esforce para isso, pode mudar de vida. Mas, ela hoje reconhece que não tem participação no querer dele.

Tudo isso dói nela. Sensação de frustração. De impotência. De perda. De luto. De medo. De solidão. De insegurança... Ficou um vazio...




Ela chorou algumas vezes.

Ela ouviu a música “Seamisai” da Laura Pausini e “Cê que sabe” do Cristiano Araújo várias vezes.

Mas ela sabe que é preciso seguir de pé. Seus filhos precisam dela. Ela precisa dela...

E ela sabe que o tempo é um bom aliado...

Toda a dor sentida parece se transformar em força para trabalhar ainda mais pela prevenção ao uso de drogas, orientando as crianças e adolescentes por meio do trabalho que desenvolve. E claro, também para continuar trabalhando com os familiares de adictos, fortalecendo-os e fazendo-os despertar para a necessidade de se cuidarem...

Ela pensa que o “veneno” que ela sentiu em seu corpo pode ser usado como “antídoto” para outros...

Ela é meio louca, mas é generosa. Mesmo.

Ela sempre teve medo da solidão. Mas ela está percebendo que, às vezes, a solidão é necessária.

Sim, ela tem sido forte.

Mesmo naqueles dias em que a deprê bate, ela tem se levantado, e seguido a sua rotina diária...

Ela acorda todos os dias por volta das seis da manhã, mesmo tendo insônia em quase todas as noites.

Orem por ela.

No fundo no fundo, ela é frágil...

No fundo no fundo, está doendo...

Mas ela decidiu!

Ela desistiu de “carregar o piano dos outros”...

Ela ainda sente pena por vê-lo carregando aquele peso...

Mas ela não quer mais colocá-lo sobre suas costas.

Ela o teria amado para sempre.

Ela teria tolerado suas diferenças.

Ela teria lutado por sua família até o fim... (E lutou!)

Mas quando as drogas roubam a cena, não há espaço para romance, para sonhos ou para finais felizes...


Essa música diz o que ela sente agora...