quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Se a Biles e o Phelps podem, você e eu também podemos!

Aquela menina tinha apenas três anos quando os serviços sociais tiveram que intervir para resgatá-la junto aos seus três irmãos, pois eram filhos de uma dependente de álcool e outras drogas. A custódia foi tirada da mãe. A menina foi criada pelo avô e sua esposa. Aquela garotinha poderia traçar uma história pautada nas dores de não ter sua mãe perto, da rejeição, da sua tristeza, mas ela optou por ser simplesmente a Simone Biles.


"Quando era mais nova me perguntava o que teria sido da minha vida se nada disso tivesse acontecido. Às vezes ainda me pergunto se minha mãe biológica se arrepende e se queria ter feito as coisas de forma diferente, mas evito me prender a essas perguntas porque não sou eu quem tem que respondê-las". Palavras de Simone Biles.

Certamente as medalhas de ouro não suprem o que as drogas tiraram dela, mas ela soube seguir adiante, apesar disso.

E o que dizer sobre Phelps? Michael Phelps atingiu o auge de sua carreira, com 8 medalhas de ouro, nas Olimpíadas de Pequim, em 2008. Mas, depois veio a crise, quando aos 23 anos, ele foi fotografado fumando maconha durante uma festa. Com isso, a Federação de Natação dos Estados Unidos o suspendeu por três meses. Em Londres, no ano de 2012, ele conquistou 6 medalhas, sendo 4 de ouro e 2 de prata, e após a competição, anunciou sua aposentadoria. No entanto, voltou a ser assunto em 2014, quando foi preso por dirigir embriagado e em alta velocidade. Perdeu a carteira de motorista e ficou 18 meses em regime de condicional. Como afirmou o seu técnico, “ele estava indo por um caminho ruim, e indo rapidamente”. Phelps chegou ao fundo do poço, tentando lutar contra o alcoolismo, mas com pensamentos suicidas o consumindo cada vez mais.

Entretanto, ele fez uma escolha: a escolha de não se entregar! Após a leitura do livro “Uma vida com propósitos”, de Rick Warren, Phelps se internou em uma clínica de reabilitação para tratamento. Além disso, decidiu perdoar e se reconciliar com seu pai, de quem ele guardava grande mágoa por ter saído de casa quando o nadador tinha 9 anos.


E o que vimos aqui no Brasil? Um Phelps de 31 anos de idade, com sua esposa e filhinho, e aquele sorriso da superação que parecia dizer: “Eu consegui. É possível!”... E claro, muitas medalhas de ouro obtidas na piscina!

Vai lá, Phelps, um dia de cada vez!

Por que estou falando sobre eles? Para mostrar que temos escolhas, sempre. E também para aumentar a nossa autoestima. Nós, familiares ou dependentes químicos, podemos ser o que quisermos e o que decidirmos ser.

Acho que já falei aqui que quando minha mãe descobriu a gravidez, uma enfermeira sugeriu que ela fizesse o aborto, por saber da história do meu pai com as drogas, e supostamente por acreditar que “filho de drogado” não tem futuro.

Na semana passada, algumas colegas (que não vivem e não entendem nada do assunto) estavam conversando, quando começaram a falar sobre uso de drogas. Fiquei quietinha, só ouvindo. De repente, uma delas falou que a esposa de um dependente químico se tornou dependente também porque é muito difícil não “usar” convivendo com um usuário.

Oi???

Ou seja, a realidade é que boa parte da sociedade condena os filhos de dependentes químicos, não acreditam na recuperação dos dependentes, e questionam a integridade das companheiras (namoradas, noivas, esposas e ex) de dependentes químicos.

O que eu quero dizer com esse post é: Ei, você que está lendo, não dê ouvidos a rótulos, você pode ser o que quiser, desde que se dedique a isso. Acredite! Lute! Você pode!

Sabe por que a Biles e o Phelps estão conseguindo? Porque eles são resilientes!

Ser resiliente é ter a habilidade de persistir nos momentos difíceis. É ter um objetivo na vida e focar nele. É saber que quando a tempestade passar, nos tornaremos mais fortes, e não é qualquer ventinho que vai nos derrubar, ou mesmo balançar. É saber que tudo passa. É ter força. É ter fé. É depois da queda, conseguir se levantar, apesar das cicatrizes, apesar da dor, e seguir adiante...

Ser resiliente é saber que, mesmo com o “apesar de” que nos acompanha, podemos ser felizes, e a vida segue... E ela vale muito a pena, sempre!


Quanto a minha família, passamos por uns dias difíceis por aqui.

Aconteceu uma recaída (ou lapso, sei lá) do meu familiar, no final de julho, após mais de 1 ano e 1 mês limpo.

Fácil? Não. Mas, é preciso seguir, não é mesmo?

Quando me perguntam como o familiar deve lidar com a recaída, digo o seguinte:

“Por um lado, nós familiares devemos nos preparar para as recaídas, mas por outro, podemos buscar viver cada dia como se elas não existissem...”

E é isso. Eu me permiti isso naquele um ano, um mês e doze dias... Quando ela chegou, doeu, tive medo. E agora, sigo novamente sem pensar nela... E trinta dias se passaram desde então. Um dia de cada vez.

E hoje vou finalizar com um texto que achei forte e muito real:

"Enquanto você não curar as feridas do seu passado, você vai sangrar. Você pode estancar o sangue com comida, com álcool, com drogas, com cigarros, com trabalho, com sexo; mas eventualmente, a ferida vai vazar e manchar a sua vida. Você precisa encontrar forças para abrir a ferida, colocar sua mão lá dentro e arrancar a raiz da dor e as memórias que te prendem ao passado e fazer a paz com eles." (Iyanla Vanzant)

Beijo no coração de vocês!
Fiquem com Deus!
Poly

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Acredite, a culpa não é sua!



Boa noite!

Nas ultimas duas semanas estive em dois grupos de famílias de dependentes químicos, oferecidos por órgãos governamentais. No primeiro havia uma média de quatorze pessoas, e no segundo, vinte e uma.

Ouvindo os relatos, vendo as lágrimas, as marcas, e tentando ler essas pessoas por dentro, consegui identificar nitidamente algo muito pesado...

“Ele dava sinais de que tinha algum problema, algum transtorno, mas eu não percebi... Talvez se eu tivesse o levado ao médico antes...”

“Eu dava muita atenção ao irmão dele que era doente, daí acho que ele ficou de lado, talvez se eu tivesse percebido isso antes...”

“Eu tomei um remédio forte quando já estava grávida, mas eu não sabia da gravidez, no entanto, eu não desejei aquele filho naquele momento, acho que foi por isso...”

“Eu fui muito ausente...” “Eu fui muito autoritária(o)...” “Eu deixei ele fazer tudo...””Eu me separei do pai dele...”

Que sentimento vocês identificam nos relatos acima?

Isso mesmo... a culpa. Muita culpa.

E a culpa é algo tão pesado de se carregar. É bem difícil carregá-la e conseguir se manter de pé. Imagine então se seria possível se manter de pé e ainda ajudar o nosso familiar a se levantar, com esse baita fardo nos nossos ombros...

E geralmente, quando somos movidos pela culpa, também somos movidos pelo descontrole de tentar fazer todas as loucuras do mundo para o outro e pelo outro (inclui-se aí a nossa autoanulação e a facilitação ao uso de drogas dele, uma vez que você sempre resolve os problemas em que ele se mete – para tentar aliviar o peso da culpa).

A sociedade joga a culpa na família. A mídia muitas vezes também. Alguns Juízes também. Alguns educadores também.

É aquela velha história: se seu filho se tornou um bom homem, você é uma mãe/pai de sorte, mas se ele tiver um problema, a culpa é sua. Né?!

E o pior de tudo, não precisa de ninguém nos apontar o dedo, pois nós já fazemos esse papel muito bem.

“O que eu deixei de fazer para que ele ficasse bem?” “O que eu fiz para que ele recaísse?”

Fardo pesado demais...

Eu diria que é quase impossível de carregá-lo.

Então o que fazer?

Vamos tentar nos livrar disso?!

Como?!

Entenda:

Dependência química é doença!

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a “dependência química como um estado psíquico e físico que sempre incluem uma compulsão de modo contínuo ou periódico, podendo causar várias doenças crônicas físico-psíquicas, com sérios distúrbios de comportamento. Pode também, ser resultado de fatores biológicos, genéticos, psicossociais, ambientais e culturais, considerada hoje como uma epidemia social, pois atinge toda gama da sociedade, desde a classe social mais elevada a mais baixa.”

Dependência química é uma doença crônica como a diabetes, por exemplo.

Você tem diabéticos na família? Sim?
Agora pense, você se sente culpada(o) por isso? Provavelmente não. Ok.

Já a dependência química é uma doença que, leigamente falando, altera o cérebro do seu familiar. E agora me responda, como você pode ser culpada(o) por isso?!

Fatores de risco e de proteção.

Indivíduo, família, escola, colegas e comunidade.

Todos esses fatores exercem influência sobre alguém. Quanto mais fatores de risco, mais vulnerável alguém estará ao uso de drogas. E, por outro lado, quanto mais fatores de proteção, mais fortalecido contra o uso de drogas alguém estará.

Exemplo: um indivíduo que tem uma boa autoestima, tem em si um fator de proteção. Um indivíduo com baixa autoestima, fator de risco. Quer dizer que todo mundo que tem baixa autoestima vai usar drogas? Claro que não! É apenas UM fator. E a questão do uso de drogas é muito complexa, engloba vários fatores!

Agora vamos falar então da tal culpa da família. Se a família tem diálogo aberto, é presente, define limites, podemos apontar como fatores de proteção. Mas, ainda assim, o filho poderá usar drogas? Sim. Porque, como falei, isso engloba vááários fatores.

E aí? Se ele usa drogas, podemos dizer que a culpa é da família? Certamente não.

Queridas(os), muitos de vocês sabem que meu pai usou drogas dos 17 aos 51 anos, e isso nunca foi segredo para mim e para a minha irmã. Além disso, nós duas temos a autoestima no chinelo. No entanto, nenhuma das duas sequer experimentou alguma droga, porque fizemos escolhas diferentes para nós. E certamente porque fomos influenciadas por vários fatores de proteção que nos cercaram.

Ainda que dois indivíduos cresçam na mesma família, mesmas escolas, mesmos amigos, pode ser que um venha a usar drogas e o outro não. Estamos falando de seres humanos. Estamos falando de indivíduos, de seres únicos. Estamos falando de complexidade!

Portanto, queridas mãezinhas, avozinhas, pais, irmãos, etc, acreditem, vocês não são culpados.

E o dependente químico? É ele o culpado então?!

Também não. Muitos deles eram adolescentes inconsequentes, curiosos, ou em busca de curtição, e não sabiam que tinham dentro de si um “gatilho” que seria acionado pela droga, os adoecendo e mudando suas vidas tão negativamente.

No entanto, embora eles não sejam culpados, eles são os responsáveis por se tratarem e darem a volta por cima!

A culpa da doença não é da família e a responsabilidade pelo tratamento também não.

O papel da família é amar, respeitar seus próprios limites, buscar informações, se fortalecer e apoiar o dependente químico na sua recuperação.

E claro, jogar essa culpa fora!


Por fim, quero dizer que ainda que você tenha "errado" no passado, você é um ser humano, todos nós somos, e seres humanos erram mesmo... Perdoe-se! Se abrace! Pare de se maltratar... 

Agindo assim, você estará finalmente apta(o) para realmente ajudar o seu familiar adoecido pelas drogas.

Pense nisso.

Beijos da Poly.
Fiquem com Deus!


Entre na campanha "Ajude a Polyanna"! CLIQUE AQUI e colabore, divulgue! Estenda sua mão à autora deste blog que agora está precisando de você!


terça-feira, 19 de julho de 2016

Permita que cuidem de você!



Boa tarde!

Você permite que alguém cuide de você?

Interessante essa pergunta, ao menos para mim.

Dificilmente permito que alguém cuide de mim. Sou a "faz tudo" no trabalho. A que não tem hora para almoçar. A que arruma a casa morrendo de cólicas. A que chora escondida. E que sempre responde com um sorriso "tudo bem".

No dia 16/07, abri uma “vaquinha online”. A princípio, fiz uma divulgação aos seguidores do blog, pessoas que de certa forma, estão distantes. No entanto, percebi que muitos visualizavam, até curtiam, mas não participavam da vaquinha.

Somente ontem, 18/07, tive coragem para postá-la em meu perfil pessoal do Facebook, com a frase: “às vezes tudo o que nos resta é despir-nos do orgulho, e reconhecer que chegamos ao fundo do poço, e que precisamos de ajuda...

Pensei em apagar a postagem várias vezes. Principalmente quando os amigos que cresceram, estudaram ou trabalharam comigo começaram a curtir e interagir.

Me senti estranha. Não sabia ao certo o que estava sentindo.

Sabe que, muitas vezes, nós codependentes, perdemos o contato com nossa parte emocional. Não conseguimos identificar nossos sentimentos. 

Então ontem, parei e fiquei um tempo me analisando.

Percebi que meu incômodo não era somente pela exposição da minha vida, mas sim por estarem “cuidando” de mim.

Muitos de nós crescemos sem saber o que é o cuidado de um pai, por exemplo. Ou sem saber o que é um companheiro que se preocupe e cuide de você. E sem perceber, vamos nos transformando em falsas “super-heroínas”.

Por fora, parecemos que somos fortes. Parece que damos conta de tudo. Que estamos bem. Que está tudo sob controle. Mas por dentro, estamos exaustas(os). Por dentro, queremos colo, mas na tentativa de nos protegermos da dor, acabamos nos afastando das pessoas que poderiam nos dar esse colo às vezes.

Caímos na solidão.

Ontem meu whatsapp, telefone e facebook foram bem movimentados porque meus amigos sabem o quanto sou reservada. Pra vocês terem uma ideia, quase ninguém sabe do blog ou do livro. Então para, de repente, eu me expor assim, eles entenderam que se tratava mesmo de desespero.

E sabe qual foi o resultado?

Percebi que não preciso dar conta de tudo sozinha sempre.

Percebi que, às vezes, é bom ter alguém para cuidar da gente. Alguém para se importar com a gente. Para nos dizer que tudo vai passar, que vai dar certo.

Percebi que nem todas as pessoas machucam. Nem todas são indiferentes. Nem todas são julgadoras. E que não preciso me sobrecarregar de dor.

E foi então que vi amigos me dando apoio, com mensagens como essas:

“Poly, minha querida, admiro sua força e coragem para lutar suas batalhas. Deus com certeza está de olho em você e, no momento certo, tudo o que você está passando será apenas uma lembrança e motivo para agradecer. Torço muito por você e sua linda família.” (whatsapp)

“Amiga, não posso ajudar muito hoje, mas posso com mais um pouco no mês que vem, e assim sucessivamente... Imagino o coraçãozinho apertado que está batendo nesse peito, mas peito de uma guerreira. Poly você é um exemplo de garra e determinação! Continue nessa força! Deus vai olhar por você, se cuide e ore, ore, ore! E nada de ficar com vergonha!!” (whatsapp)

“Poly, estou divulgando, pedindo aos meus amigos, hoje acordei com uma missão!! Ainda quero te encontrar tocando violão lindamente e feliz!” (whatsapp)

“Amigos, hoje me deparei com essa mensagem de uma amiga muito querida e batalhadora. Conheci a Polyanna na faculdade, onde sua generosidade em ajudar os amigos era conhecida por todos. Nos últimos anos ela, além de se dedicar à família, idealizou e ajudou a implementar um projeto de ajuda às famílias de viciados em drogas. Confio plenamente em seu caráter e discernimento. Sei que pra chegar ao ponto de solicitar ajuda é porque já tentou de tudo. Por isso, peço àqueles que puderem e quiserem, que dêem uma olhada no vídeo, onde ela explica como é possível ajudar.” (Carla, via facebook)

“Boa noite gente. Eu gostaria de pedir a quem puder ajudar que ajudem. A Polyanna é conhecida, uma colega de trabalho e grande amiga. Conheço a sua idoneidade e sei que se está aqui pedindo ajuda é porque já fez todo o possível para conseguir e não deu mesmo. Sei que muitos aqui ganham tão pouco... mas ajude com 20,00, 10,00 reais. De grão em grão a galinha enche o papo. E se não puder ajudar com dinheiro, compartilhe. Talvez alguém que tenha mais que nós, veja e se solidarize”. (Priscila, via facebook)

Além disso, outra amiga virá me encontrar amanhã com roupas para meu pequeno. E outra está me ajudando com orientações sobre os tratamentos médicos deles!

E é isso. Outras pessoas tentando me ajudar. Outras pessoas se preocupando comigo. Outras pessoas se importando...

Sensação boa...

Gratidão!

Vocês que acompanham o blog, sabem o quanto tenho fé.

Sei lá, é uma certeza de que tudo vai dar certo, sabe?



Para participar, CLIQUE AQUI!

Relato: Nos últimos cinco anos da minha vida, me dediquei e dedico a ajudar famílias que estão desesperadas em meio à dor (famílias de dependentes químicos)... Faço por paixão, por prazer, por realização pessoal... Nunca cobrei por isso. Meu livro foi mais doado do que vendido. O blog é gratuito. As palestras são gratuitas. E coordeno um projeto do governo, sem ter cargo nenhum para isso. Pois sei que minha recompensa é bem maior que o dinheiro. Entretanto, nos últimos sete anos, tivemos altas despesas no tratamento de um membro da nossa família com uma doença psiquiátrica crônica. Foram três internações e um tratamento caríssimo em São Paulo. Graças a Deus, os resultados foram positivos! No entanto, hoje vivemos à beira do total caos financeiro. Sou mãe de três filhos lindos... O de 7 anos, foi diagnosticado com ambliopia no ano passado, o que requer um tratamento urgente, pois quanto mais ele cresce, maior o risco de perder a visão do olho direito de forma irreversível (como aconteceu comigo). Além disso, meu caçulinha de 4 anos necessita urgentemente de fonoaudiólogo (fala) e de acompanhamento para descartar o diagnóstico de autismo (ou confirmar). Vejo o tempo passar, e não conseguimos dar aos nossos filhos o cuidado que necessitam, porque não temos condições!! Trabalhamos honestamente, e muito, todos os dias. Economizamos em tudo. Mas, considerando que 75% do salário fica retido pelo banco, para saldar parcelas do empréstimo feito para os tratamentos e despesas anteriores, não sobra dinheiro para um plano de saúde ou para a continuidade dos tratamentos. Na verdade, não sobra para nada... É tão desesperador!! Angustiante... Parece não ter saída!! Por isso, recorro a você... Sozinhos não vamos conseguir... Hoje o valor total da dívida está em R$150.301,56. Precisamos quitar o banco para voltar a viver e dar uma vida digna aos nossos filhos. Independente do valor, se puder, ajude-nos!

"Eu seguro a minha mão na sua e uno o meu coração ao seu, para que juntos façamos o que sozinha eu não consigo..." 

Muito obrigada, Alex, Patrícia, Alano, Jorge Victor, Alexandre, Antonia, Márcia, Carla, Taiane, Renata, Danielle, Giulliana Fischer, Jeferson Senna e Patrícia Fernanda por suas doações!!

Sei que muitos dirão que não vou conseguir, mas não importa, eu acredito! E a "vaquinha" vai ficar ativa até o alcance do objetivo! E manterei vocês informados sobre tudo.

Esse blog recebe muitas visitas diariamente, peço que, por favor, se solidarizem, e ajudem.

Copiem o link https://www.vakinha.com.br/vaquinha/ajude-a-polyanna e postem em suas redes sociais, grupos, páginas de amigos...

Sozinha é impossível, mas com vocês eu posso!
Muito obrigada!


sábado, 16 de julho de 2016

Sou apenas um vaso rachado...


Boa tarde, queridas(os)!

Tudo bem com vocês?

Puxa, hoje é dia 16 de julho de 2016... ou seja, há exatos 10 anos atrás meu caminho se cruzaria com o caminho dele pela primeira vez...

Daí, fico pensando: Como seria se isso não tivesse acontecido? Quem seria eu hoje? Sim, me pergunto quem seria eu, porque certamente a experiência de conviver com um dependente químico nos faz diferentes. No meu caso, afirmo que me fez crescer como ser humano, me fez descobrir uma Polyanna que talvez não seria descoberta... Provavelmente eu teria outro trabalho hoje, você e eu não nos conheceríamos, eu não teria escrito o livro, esse blog não existiria... 

Interessante, né? Um pequeno movimento do Universo e tudo seria diferente. Destino? Coincidências? Acaso? Estava escrito? Deus?

Acredito que Deus esteja no comando da minha vida, mas não sei ao certo se Ele determina o que vai acontecer ou se isso se deve somente às minhas escolhas, então, deixarei as perguntas acima sem respostas, porque não as tenho.

Tenho recebido muitas mensagens perguntando sobre ele. Como ele está? Está limpo? Está bem?

Antes de falar dele, quero falar de mim, afinal, esse foi o meu maior aprendizado nessa jornada: me olhar, me amar e me cuidar...

Queridas(os), estou muito feliz com as experiências que estou vivenciando junto às famílias, no projeto “Ame, mas não sofra” do Governo de Brasília. E obviamente, esse trabalho tem me deixado mais ausente do blog e Facebook.

Olhem essa foto... que coisa gostosa que ela transmite!


Para esse grupo de famílias, na ultima quinta-feira, levamos uma roda de terapia comunitária, e na sequencia, pude partilhar àquelas famílias (que nunca haviam escutado falar da codependência) sobre livrar-nos da culpa, que dependência química é uma doença, e que a família precisa se cuidar, se fortalecer primeiro, para então ajudar ao seu ente adoecido pelas drogas.

Tantos abraços apertados. Tantas lágrimas. Tantas histórias.

Vejam o vídeo abaixo, que fala sobre essa ação.



Lindo isso, né? Só posso agradecer a Deus pela oportunidade de ajudar.

Quanto ao meu amadão, tenho boas notícias. 

Ele está limpo há 1 ano, 1 mês e 6 dias!!

Mas, ainda assim, já aprendi que minha recuperação e minha vida não podem se basear na recuperação dele ou em seus dias abstinente.

Claro que estou muito muito feliz por ele estar conseguindo, um dia de cada vez! Claro que isso traz muitos benefícios para a nossa casa! Mas ainda assim, não posso me esquecer que ainda que eu tenha fé e esperança de que esses dias durem para sempre, não coloco expectativa nisso. Entendem?

Por isso, a cada dia, tenho falado menos dele aqui no blog, e mais de mim. Porque é disso que nós, familiares, precisamos. Olhar para nós! Focar em nós!

Eu focando em mim e cuidando de mim, e ele focando nele e cuidando dele, ao final os dois teremos condições emocionais para cuidarmos do nosso relacionamento e fazermos dele uma união saudável...

Mas se eu voltar a focar na recuperação dele, aí peteca tudo!! Rs.

Bom, queridas(os), vou contar uma história para vocês que ouvi lá no grupo:

“Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara a qual ele carregava atravessada em seu pescoço. Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe. O pote rachado chegava apenas pela metade. 
Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa de seu chefe. Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações.  Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição, e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que havia sido designado a fazer.  
Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem um dia, à beira do poço:  
- Estou envergonhado, quero pedir-lhe desculpas. 
- Por quê?, perguntou o homem. - De que você está envergonhado?
- Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas metade da minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não ganha o salário completo dos seus esforços, disse o pote. 
O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
- Quando retornarmos para a casa do meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho.  
De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu ânimo. Mas ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas ao homem por sua falha. Disse o homem ao pote: 
- Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado do caminho??? Notou ainda que a cada dia, enquanto voltávamos do poço, você as regava??? Por dois anos eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Sem você ser do jeito que você é, ele não poderia ter essa beleza para dar graça à sua casa.”

Chorei ao ouvir essa história, porque realmente me identifiquei com ela.

Minha vida não foi exatamente como eu idealizo que seria uma vida perfeita. 

Meu pai usou drogas durante minha concepção, nascimento, infância e adolescência, quando veio a falecer. Há dez anos, novamente, me vi diante da adicção de alguém muito amado. E essas experiências me marcaram. Vejo em mim uma mulher com traços da codependência. Alguém com com tantas "rachaduras". 

Mas, é tão gostoso quando olho para os relatos de vocês ou de pessoas como essa avó do vídeo, porque percebo "as flores ao lado do caminho".

Ei, não permita que ninguém diminua você por ter familiares adictos ou por ser um adicto. Não se esqueça que somente os "vasos rachados" produzem flores. Você é especial! Eu sou especial!

E, por ultimo, vou deixar aqui um link da minha “vaquinha”. Não gente, não virei fazendeira... Risos.

Vocês que acompanham o blog conhecem minha história, me conhecem, por isso dispensa justificativas. 

E na hora do desespero vale tudo, até deixar o orgulho de lado, né? E é isso que estou fazendo, e acreditando muito que dará certo e que, finalmente, me sentirei livre novamente para ter uma vida digna.

Clique aqui e entenda!

Sei que muitos leitores passam por situação parecida, mas peço que divulguem a vaquinha em seus grupos e páginas, se puderem.

Um lindo sábado a todos!
Fiquem com Deus!